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domingo, 10 de junho de 2012

AUTORIDADES TRAÇAM MAPA DAS CIDADES MAIS VIOLENTAS


Região Oeste do Rio Grande do Norte, onde o tráfico de drogas, assassinatos, assaltos, arrastões, pistolagem, falta de segurança e, acima de tudo, a impunidade tem atemorizado as zonas rurais dos municípios e as cidades, que tem sido palcos de violência como nunca se viu antes. 

Lugares antes pacatos foram transformados em fábricas de criminosos, que desafiam as autoridades e têm colocado em prática suas próprias leis, onde os mais fortes sobrevivem.
Na opinião dos delegados, o mapa da violência passa por Mossoró, Baraúna, Umarizal, Caraúbas, Janduís, Frutuoso Gomes, Pau dos Ferros, Alexandria e São Miguel.

Impulsionada pelo tráfico de drogas, as cenas reais de violência nos municípios oestanos amedrontam os que habitam o semiárido, onde cenas de homicídios, assaltos, furtos, invasões a cidades, dentre outras, que diariamente têm sido vivenciadas pelos moradores, muda hábitos e costumes do povo, que passa a viver prisioneiro dentro de suas próprias casas, desprotegida da ação das autoridades policiais.

Em alguns municípios, como Mossoró, Umarizal, Frutuoso Gomes, Janduís, Baraúna, Caraúbas e Assú, o problema da violência tem se estendido por décadas, tendo se inflamado ainda mais nos últimos anos.

O delegado Odilon Teodósio, titular da Divisão de Polícia Civil do Oeste (Divipoe), considera como ponto crítico para ser atacado pelo policiamento, no combate aos bandidos, as cidades de Baraúna, Umarizal e Frutuoso Gomes. Segundo o delegado, Frutuoso Gomes é um município que não tem comarca e todo procedimento tem de ser feito pela Divipoe, quando essa realiza uma operação local.

"Baraúna e Umarizal precisam de mais efetivo policial e de um trabalho detalhado para combater as quadrilhas que se enraizaram nesses dois municípios nos últimos anos. Precisamos mapear os criminosos para podermos atacar com segurança e prendê-los, aliviando assim as pessoas de bem que vivem sob o medo da bandidagem. Já estamos fazendo isso e tendo retorno, no entanto ainda é preciso fazer muito mais", explicou o delegado.

Já o delegado Clayton Pinho, titular da Delegacia Regional de Polícia Civil de Mossoró, que juntamente com o delegado Odilon Teodósio tem desenvolvido um trabalho ostensivo no combate à violência, vê a questão da insegurança no Oeste como muito preocupante. Para ele, os municípios de Umarizal, Baraúna, Janduís e Caraúbas são hoje focos de criminalidades, que tem de ser combatido com urgência.

"A violência está praticamente generalizada nas cidades interioranas, porém essas quatro cidades têm causado muita preocupação às autoridades policiais, onde crimes hediondos e misteriosos têm ocorrido com frequência e desafiado a força policial, tanto ostensiva quanto investigativa", destacou.

Com relação à violência em Mossoró, Clayton Pinho disse que é preocupante também, no entanto destaca uma redução de 50% em relação ao ano passado, onde por essa época já havia ocorrido 100 homicídios e este ano o número foi reduzido pela metade. "Bom seria se não ocorressem crimes, o que é praticamente impossível para um município do porte de Mossoró, porém se observarmos em um ano reduzimos os homicídios pela metade. Isso é mérito do trabalho que vem sendo desenvolvido pelas polícias civil e militar, que tem atuado em parceria e só quem ganha com isso é a população", concluiu. 

Falta de efetivo dificulta trabalho das polícias militar e civil. Uma das principais causas da violência na região do Médio e Alto Oeste, segundo autoridades policiais, tanto civis quanto militares, é sem sombra de dúvida a falta de estrutura, principalmente o número de efetivo para o trabalho diário.

Segundo o delegado Inácio Rodrigues, titular da Delegacia Regional de Polícia Civil de Pau dos Ferros, que responde atualmente por 21 municípios, do Alto Oeste, o maior problema enfrentado é o pouco contingente policial, associado à precariedade estrutural das condições de trabalho.

"Hoje a região do Alto Oeste, apesar de ser uma das mais tranquilas do Estado, apresenta uma dificuldade muito grande na falta de estrutura para combater o crime. Nós temos uma região alta, não por causa do trabalho ostensivo e sim devido uma população de boa índole, que apesar de ser grande, consegue se diferenciar de outras localidades violentas", explicou.

Para o delegado, apesar de boa parte dos municípios fazerem divisa com outros estados, apenas dois deles requerem um pouco mais de atenção: Pau dos Ferros e São Miguel. "Pau dos Ferros é uma cidade polo, que devido ao comércio intenso atrai muita gente de outras cidades, por isso merece maior atenção das polícias, mas nada de anormal. Em São Miguel, porta de saída para o Ceará, temos que redobrar os cuidados e manter a ordem,",disse.

O coronel Romualdo, comandante do 7º Batalhão da PM, que compreende 35 cidades do Alto e Médio Oeste, disse que o efetivo vem se esfacelando ao longo dos anos e atualmente apresenta um déficit de aproximadamente 200 policiais. "Em 2010 formamos 20 policiais militares aqui em Pau dos Ferros, porém18 pediram transferência para Natal e apenas dois ainda permanecem aqui", destacou.

Para o comandante, além das transferências, que tem se tornado corriqueiras, o efetivo tem tido muita baixa na questão de aposentadoria, onde muitos militares foram para a reserva e deixaram de atuar no combate à criminalidade.

"O ideal seria que os policiais formados aqui na região permanecessem trabalhando para onde foram designados a princípio, mas sabemos que na prática essa realidade é muito diferente e com isso compromete o nosso trabalho", disse.

Ainda segundo o comandante, Umarizal é a cidade mais preocupante pertencente a sua jurisdição, onde o número reduzido de policiais tem conseguido atrair criminosos para agir livremente nas ruas e comunidades.

Oeste pede paz e municípios se organizam para expor reivindicações. A grande quantidade de ocorrências policiais que assolam a região Oeste do RN tem feito com que as cidades se organizem para protestar contra a falta de segurança dos municípios, que de tanto serem vítimas da bandidagem começam a reagir e clamar por justiça e segurança.

Depois de terem sido alvo de vários crimes, assaltos, arrastões, tráfico de drogas, dentre outros crimes, moradores do município de Baraúna se reuniram na semana passada para mostrar força e revolta. Aproximadamente oito mil pessoas, com faixas, cartazes, carros de som e discurso afinado, se reuniram na última quarta-feira para interditar a RN-015, que liga a cidade a Mossoró. De acordo com os organizadores, a iniciativa do movimento passou a ganhar força depois que vários homicídios e assaltos passaram a ser registrados no município, sem que as autoridades policiais conseguissem combater as investidas da bandidagem, não restou outra alternativa se não clamar por segurança, interditando o trânsito.

"O protesto do povo é a forma mais íntima de expressar à revolta, é chamando a atenção, interditando a movimentação. Nós conseguimos dizer que não mais aguentamos sofrer nas mãos dos bandidos, resta agora os nossos representantes políticos cumprirem suas obrigações e dar segurança à população", disse Gedeão, um dos organizadores.
Antes de Baraúna, Caraúbas também fez sua marcha contra a violência, depois que uma quadrilha armada invadiu o centro da cidade e atentou contra a vida da família de um comerciante, onde pai e filha foram baleados e tiveram de mudar de cidade para continuarem vivos.

Por sua vez, o município de Janduís, depois que uma quadrilha armada proporcionou um arrastão no comércio local, assaltando a agência dos Correios e vários estabelecimentos comerciais e na fuga saíram atirando para o ar e gritando palavras de ordem.

Diante desse episódio, os moradores saíram às ruas protestando contra os atos de vandalismo e ousadia, no entanto, em nenhuma das cidades houve retorno por parte das autoridades governamentais.

Fonte: O Mossoroense
Foto: Google

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